GATO

         

GATO

          Era uma festa, estvamos todos muito alegres, a música causava uma vontade de dançar, e a bebida trazia toda a coragem para fazer o corpo se soltar.

          Dispersos, alegremente cada um com seu jeito. Num canto da sala estava cat, meu gatinho, ele estava muito doente, quase morrendo, a todo o momento eu ia dar uma olhada nele, mas não tinha mais o que fazer, todos na festa sabiam que cat naquela noite estava morrendo. Ele parecia consolado, sabia seu destino, e só esperava.

          Eu o acariciava, tentando talvez me iludir com alguma melhora, mais em vão, o caso era perdido, então também me resignava, e dançava mais entusiasmada ainda.

          Até que chegou uma amiga e disse, Cat morreu, então fui lá ver. Peguei-o em minhas mãos e encostei o ouvido em seu coração, parecia não bater mais, seus olhos estavam fechados e o corpo estava todo mole, desfalecido.

          Cat morreu! Aquela música a todo o volume, aquelas pessoas alegres dançando, aquela sensação de embriaguez no ar, fui até a área para sentir melhor se realmente cat não vivia mais.

          Então lá fora, comecei a comer o seu rosto, pedacinho por pedacinho, mordendo devagar. Oh, que susto eu levei quando ele tentou falar comigo. Me disse: Eu ainda não morri! Fiquei sem saber o que fazer, tentei explicar, dizer que pensei que.... e ele, falando que não era para eu ficar triste, pois não tinha nenhuma possibilidade dele viver.

           Eu me senti muito mal ao saber que o comia ainda vivo. Ele queria me tranquilizar. Sabiamos o quanto gostávamos um do outro e o quanto seria difícil esta separação, mas inevitável, então procuramos ficar sempre juntinhos, Cat me disse. Eu queria me despedir de você, venha dá-me mais uma mordida quero sentir o calor da sua boca.

 

Nota da autora: Este conto passeia pelo surrealismo de Luis Bu?el, grande autor, cineasta e mestre espanhol que sempre buscou atrav?s da met?fora expressar realidade.

Altre opere di questo autore