O LOBISOMEM

 

O LOBISOMEM


Lá vinha seu João Antonio, caminhando lentamente pela rua. Era um homem muito alto, magro e tinha um sorriso assustador. Sempre que por ali passava cumprimentava a minha avó. Quando apontava na esquina a criançada na correria anunciava: _ Lá vem o Lobisomem! Algumas vezes eu fiquei acordada até mais tarde pra ver como ele voltaria de madrugada. Mas em vão, da janela do quarto da minha avó, no segundo andar da casa só consegui vê-lo uma vez, de costas, andando e abrindo o portão sem fazer barulho. Seu João Antonio sempre saia e voltava bem tarde. Minha irmã ficava comigo esperando, mas logo desistia, nunca aguentava muito tempo acordada. _ Vão dormir gurias! _ dizia a minha avó. Então eu ficava um pouco quieta e quando voltava a soar o ronco do vovó, eu ia de novo retomar meu posto na minha vigília. Um dia a vó me contou, que a uns 20 anos atrás, acordou de madrugada ouvindo uivos assustadores, ela correu até a janela do quarto, mas não conseguiu ver nada, então desceu e foi até a sala. Por um vidro da porta ela viu um homem muito peludo, desfazendo-se de suas roupas e afiando as garras no poste em frente a casa. Ela caminhou no escuro pela sala e pode vê-lo bem de perto iluminado pela luz da rua. Assustada deu alguns passos para trás e esbarrou na mesa de centro fazendo um barulhão. Isso despertou a atenção da fera que sentiu a presença dela e enfiou uma das patas atravéz do vidro, espalhando cacos e sangue pelo chão. Minha avó ficou com as pernas bambas, não conseguia sair dali. E o bicho que estava ferido, desistiu de invadir a casa, uivava bravo lá fora com seus dentes afiados a mostra. Vovó subiu correndo pela escada e foi chamar Vô Vitorio: _Velho, velho! Tem um lobisomen lá na frente de casa! _ Que lobisomem Cota, não existe lobisomem, vai dormir! _ Acorda homem, vai ver, tá lá na frente, ele quebrou até a nossa vidraça! _ Deixa ele então mulher, daqui a pouco ele vai dormir também! Naquela noite minha avó não conseguiu pegar no sono e ficou olhando pela janela toda a madrugada passar. E eu também aqui faço a minha vigília, de vez em quando ela diz: _ Tá na janela ainda guria? Vai dormir!

Nota da autora: Este conto tenta relembrar o Mestre Luigi Pirandello que como ninguém sabia trazer a fantasia para a vida cotidiana.

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